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sábado, 14 de maio de 2011

Devagar e sempre

Quem se lembra do painel que fiz no curso de patchwork, postado AQUI? Finalmente tomei coragem para tirá-lo do armário e começar a quiltar, agora que o calor deu uma trégua por estas bandas... Para quem não sabe, o quilt é necessário para prender o forro ao tecido, senão com o uso e com as lavagens o forro fica "sambando" solto lá dentro e forma "bolinhos". Feio. Além disso, no caso de uma manta (cobertor), a parte que esquenta você (o forro) fica cheio de falhas e perde sua função.


Hoje em dia o quilt pode ser feito a mão ou a máquina. Como o curso era de patch a mão, é assim que estou quiltando. O quilt pode ficar aparente e deste modo ter um efeito decorativo também, formando desenhos com linha contrastante com o tecido. Eu estou quiltando com linha branca mesmo (linha Zebra, que é mais forte), nas emendas (não todas), bem rente à costura. Este tipo de quilt não fica aparente, só realça um pouquinho deixando as partes quiltadas com um ar mais "fofinho".


Esta bolsinha tipo clutch  (que eu terminei há algum um tempo mas tinha esquecido de postar) eu quiltei a máquina. Passei um ponto decorativo com linha rosa claro bem em cima das emendas (cliquem em cima da foto para ampliar).


Tutorial AQUI, aliás :)


O quilt a mão é um trabalho de formiguinha, eu até pensei que não fosse gostar mas estou curtindo. Não dá para fazer direto, pois é um movimento que cansa, e além do mais isso vai levar tempo e preciso dar andamento aos meus outros crafts também. Está sendo um bom contraponto à minha fase "produção-de-cachecóis-em-ritmo-semi-industrial" (que eu também pensei que fosse enjoar logo mas que também estou curtindo!). Outro dia a Carla escreveu um post muito legal sobre a arte de fazer crafts sem pressa, super válido. Acho que o trabalho manual tem que estar intimamente ligado ao prazer, e cada um tem que descobrir qual é o seu prazer: projeto pequeno, projeto grande, vários projetos ao mesmo tempo, um projeto de cada vez... Eu estou vendo que sou uma metamorfose ambulante do mundo craft - cada hora tô de um jeito!


E por falar em projeto grande, em breve mostrarei também o primeiro resultado do meu primeiro BAP "de verdade". Em craftês informal, BAP quer dizer "Big Ass Project", um projeto grande e demorado (não me peçam para traduzir ao pé da letra rsrsrs). O quadrinho (inho???) é este AQUI. Lindo né? A parte onde está escrito Williams e as pessoinhas e bichinhos podem ser personalizados. (Aliás eu vou deixar para bordar essa parte por último, sei lá quantos anos eu vou levar para terminar e até lá quem sabe quantos bichos mais haverá nesta casa? KKKKK!) Pois então, este projeto é uma espécie de SAL que eu vou fazer com a Iara e outras meninas (post AQUI). Temos que mostrar algum avanço todo final de mês, mas este avanço fica por conta de cada uma - podem ser dez ou cem pontinhos! Assim bordamos no nosso ritmo, sem stress, mas ao mesmo tempo o compromisso de mostrar pelo menos um pouquinho de evolução a cada mês não deixa que o projeto vire UFO. Gostei!


Por fim, para quem arrancou os cabelos com o "susto" do blogger, sugiro a leitura (ou re-leitura) deste poeminha. Eu ia escrever um pouco sobre isso, mas acho que o poeminha fala por si. Reflitamos mais uma vez sobre impermanência e desapego hehe.


Uma Arte



A arte de perder não é nenhum mistério


tantas coisas contém em si o acidente


de perdê-las, que perder não é nada sério.


Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,


a chave perdida, a hora gasta bestamente.


A arte de perder não é nenhum mistério.


Depois perca mais rápido, com mais critério:


lugares, nomes, a escala subseqüente


da viagem não feita. Nada disso é sério.


Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero


lembrar a perda de três casas excelentes.


A arte de perder não é nenhum mistério.


Perdi duas cidades lindas. Um império


que era meu, dois rios, e mais um continente.


Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.


Mesmo perder você ( a voz, o ar etéreo, que eu amo)


não muda nada. Pois é evidente


que a arte de perder não chega a ser um mistério


por muito que pareça (escreve) muito sério.


(Elizabeth Bishop; tradução de Paulo Henriques Brito)


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Miscelânea!



Vamos lá, por partes...
Primeiro esse gatinho aí - uma fofura! É um SAL do forum Coisas de Miúdas. São 12 gatinhos, um para cada mês do ano, e este friorento de janeiro eu enviei para o projeto Lovequilts (por isso tem meu nome bordado em baixo). Nunca ouviu falar do Lovequilts? Clica AQUI.


Estou participando de outros SALs e Desafios no Coisas de Miúdas e no Fazendo Arte em Ponto Cruz, mas cadê tempo para postar minha gente? A chapa aqui tá tão quente quanto o clima infernal desta cidade! Só não deixo de dar meus pontinhos diariamente, nem que seja meia horinha apenas, pois costura e bordado são minha meditação. Sem meus pontinhos diários eu começo a dar defeito!!!

Em segundo lugar, obrigadíssima por todos os elogios à minha última bolsinha patch! Só que tem um detalhe, meus amores, a combinação dos tecidos não foi feita por mim hehe. Eu usei um tecido coordenado, o mesmo desta cestinha quadrada AQUI. Só tive o trabalho de cortar os quadrados e costurar, pois esse é o charme da bolsinha, né? Mas eu não podia esconder isso de vcs, todas achando que eu sou a bam-bam em combinação kkkkk! Também não tenho $$$ nem espaço para muitos cortes de tecido de um mesmo tom, e quando a moça me pediu um patch em tons de lilás não tive dúvidas - peguei meu paninho coordenado!

Terceiríssimo, um selinho que ganhei da Vanessa, obrigada Vanessa!


E mais um sorteio, desta vez no blog Arte e Mimos. Os brindes estão de dar água na boca de qualquer crafter, confiram:



- Duas revistas Trabalhos em feltro da Editora Minuano
- Uma revista Fuxico Passo a Passo da Editora Casa Dois
- Duas apostilas Arte & Mimos, Páscoa e Decoração infantil
- 3 pedaços de feltro liso Santa Fé 30x35cm
- 3 pedaços de feltro estampado Santa Fé 30x35cm
- 3 pedaços de feltro estampado Mix Criativo
- 2 pedaços de tecido Fernando maluhy 30x35cm
- 5 meadas Maxi Mouliné da Círculo


Inscrições para o sorteio AQUI. Corre lá!

E para fechar com chave de ouro, este poema que achei no blog da Silvana. Uma pérola!


Uma Arte



A arte de perder não é nenhum mistério


tantas coisas contém em si o acidente


de perdê-las, que perder não é nada sério.


Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,


a chave perdida, a hora gasta bestamente.


A arte de perder não é nenhum mistério.


Depois perca mais rápido, com mais critério:


lugares, nomes, a escala subseqüente


da viagem não feita. Nada disso é sério.


Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero


lembrar a perda de três casas excelentes.


A arte de perder não é nenhum mistério.


Perdi duas cidades lindas. Um império


que era meu, dois rios, e mais um continente.


Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.


Mesmo perder você ( a voz, o ar etéreo, que eu amo)


não muda nada. Pois é evidente


que a arte de perder não chega a ser um mistério


por muito que pareça (escreve) muito sério.


(Elizabeth Bishop; tradução de Paulo Henriques Brito)


Eu confesso que depois do evento Wicca em minha vida venho exercitando a arte de perder a duras penas! Perder as coisas que ela destrói, perder tempo do meu dia limpando a sujeira que ela faz e ralando para dar-lhe um pouco de educação hehehe... não tem sido fácil, eu estava acostumada com gatos que são completamente diferentes e estou tomando uma surra. Mas estou lendo o segundo livro do Cesar Millan e isso tem me ajudado muito mesmo, não só com a Wicca mas em outras áreas da minha vida (já falei isso aqui? acho que estou ficando repetitiva...). Essa monstrinha está tendo um papel muito especial na nossa família, está nos ensinando muita coisa, acredito que ela nos ajudará a nos tornarmos pessoas melhores de um modo geral. 


Abraços, bom fim de semana, até a próxima!

domingo, 2 de janeiro de 2011

L'amour, toujours l'amour!


Nada melhor que um coração para começar o ano "bloguístico", principalmente quando se trata de um dos lindos corações do blog Gazette94!


Esta necessaire fiz de presente para minha sogra. Aliás, para quem acha que eu produzo muuuuuito rápido, devo confessar que não é bem assim - muita coisa que eu posto já está pronta há um tempinho hehe


Bom, vamos falar de ano novo então né? Fomos para a casa de uma amiga na praia de Camboinhas, na região oceânica de Niterói, de onde pudemos ver os fogos de Copacabana ao longe sem o barulho e a multidão - perfect! Wicca foi junto e se comportou como uma lady, nem se assustou com as pessoas e alguns poucos fogos que soltaram na praia. Nós estávamos há algumas semanas fazendo meio que um treinamento de "dessensibilização" com ela, coisas que aprendemos na net e também com o Cesar Milan, e não é que deu certo? O ruim é que fui atropelada por uma gripe da peste, passei o reveillon com febre e os dois últimos dias de cama, sem craft, sem trabalhar, sem nada. Blah. Mas aos poucos vou me recuperando, acho que amanhã vai dar para "começar" a voltar ao normal.

Mas falemos de coisas "bem boas". Passeando pelo blog da Lau me lembrei de um poema do Victor Hugo para inspirar nosso início de ano:


"Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ".



Por fim, nada a ver com ano novo, mas a meu ver igualmente inspirador, uma apresentação de arrepiar de dois gênios musicais, cantando/tocando uma música linda de outro gênio musical (assistam até o fim que vocês vão entender o que quero dizer...) Enjoy!



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Poesia para o Ano Novo!

Queridos todos,
Estou de volta! Obrigada por todos os emails e comentários carinhosos, prometo responder a todos com calma nos próximos dias OK? Deixo para vocês um poema lindo da Elisa Lucinda, chamado Libação. Inspiremo-nos!

É do nascedouro da vida a grandeza. É da sua natureza a fartura, a proliferação, os cromossomiais encontros, os brotos, os processos caules, os processos sementes, os processos troncos, os processos flores, são suas mais finas dores.
As conseqüências cachos, as conseqüências leite, as conseqüências folhas, as conseqüências frutos, são suas cores mais belas.
É da substância do átomo ser partível, produtivo, ativo e gerador.
Tudo é, no seu âmago e início, patrício da riqueza, solstício da realeza.
É da vocação da vida a beleza
e a nós cabe não diminuí-la, não roê-la com nossos minúsculos gestos ratos,
nossos fatos apinhados de pequenezas,
cabe a nós enchê-la, cheio que é o seu princípio.
Todo vazio é grávido desse benevolente risco.
Todo presente é guarnecido do estado potencial de futuro.
Peço ao ano-novo, aos deuses do calendário, aos orixás das transformações:
nos livrem da ânsia voraz
daquilo que ao nos aumentar nos amesquinha.

A vida não tem ensaio
mas tem novas chances.
Viva a burilação eterna, a possibilidade:
o esmeril dos dissabores!
Abaixo o estéril arrependimento
a duração inútil dos rancores.
Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos:
a vida inédita pela frente
e a virgindade dos dias que virão!

PS para quem não conseguiu acessar o texto do post anterior, o link completo é este: http://tamhaovan.multiply.com/reviews/item/27

quinta-feira, 19 de março de 2009

Resultado da enquete, desabafo e poema

Obrigada a todas que participaram da enquete. A pergunta era Como você conheceu meu blog? e no total 47 pessoas votaram.

29 pessoas disseram que foi por meio de outro blog;
9 pessoas disseram que foi por meio de pesquisa no google;
5 pessoas já me conheciam antes (ou seja, eu mesma dei o endereço do blog) e
4 pessoas conheceram o blog por indicação de um(a) amigo(a)

Acredito que, dessas 29 que chegaram até aqui por meio de outro blog, muitas foram em resposta a um comentário que deixei em seus blogs (eu não tinha colocado essa opção nas respostas). Interessante também algumas pessoas terem conhecido o blog através do google, me pergunto o que elas estariam procurando e se encontraram o que queriam.

Achei válido fazer essa enquete, apesar do pouco número de votantes dá para se ter uma ideia de como circulam as notícias na blogsfera. Me pus a pensar em por que, afinal de contas, tenho um blog, já que não comercializo meus produtos. Acho que, em primeiro lugar, é por puro exibicionismo - rsrsrs... Para ter uma "platéia" para meus trabalhos, e receber elogios... Outra razão é para fazer contatos, amizades, e trocar idéias e experiências sobre artesanato. Não só visito os blogs de outras pessoas (o que eu poderia fazer mesmo não sendo blogueira), mas também posso oferecer algo em troca - um gráfico, uma ideia, uma indicação, uma dica... Acho que esses dois motivos juntos me motivam a produzir. Tem os SALS, as troquinhas, as mil e uma ideias que vimos nos blogs alheios e ficamos com vontade de fazer... Tudo isso dá uma motivação a mais e preenche nossa vida com projetos.

No meu caso as amizades que tenho feito através do blog têm sido especialmente valiosas, porque minhas amizades do "mundo real" não curtem artesanato (apenas uma grande amiga, que foi aliás quem me incentivou a começar a costurar anos atrás, mas ela está morando em outro país). Então não tenho muito quem elogie, incentive e troque ideias. É claro, volta e meia presenteio alguém com um trabalho meu, mas geralmente quem dá mais valor são as pessoas mais velhas com quem tenho contato - minha mãe, minhas tias, minha sogra... E no fundo artesanato para mim é uma válvula de escape, algo para manter minhas mãos ocupadas e satisfazer meu ego e meu senso estético. Às vezes penso, invisto tanto tempo e dinheiro nisso, e qual é o retorno? Por isso até me cadastrei no Love Quilts, para sentir que estou fazendo algo de útil com minhas costurinhas. Mas o artesanato não deixa de ser válido à medida em que me equilibra e acalma emocionalmente para enfrentar as outras áreas da vida.

Enfim, se conseguiram ler até aqui, obrigada pela paciência! Quem tiver algo a acrescentar ou criticar por favor comente, todas as opiniões serão muito bem vindas. Deixo para vocês um poema que recebi por e-mail há muito tempo, mas que infelizmente desconheço o autor. Ele resume o que penso a respeito da necessidade de termos objetivos na vida.

FELICIDADE


Seja feliz nas pequenas coisas.
Elas dão à felicidade
a oportunidade de se acercar de você,
silenciosamente,
quase sem ser vista.

Desejo-lhe pequenas felicidades inesperadas,
um convite, um presente,
o sorriso de um estranho.
Desejo-lhe a felicidade das ideias,
a excitação da razão,
o triunfo da compreensão,
o esclarecimento da visão,
o aguçamento da audição,
a busca de uma nova descoberta, o prazer no passado e no presente.

Desejo-lhe a alegria da criatividade.
Que possa sempre,
sempre, haver alguma coisa
que você queira aprender,
algo que queira fazer,
um local onde queira ir,
alguém que queira encontrar.

Que você nunca perca
o interesse pela vida.
Desejo-lhe a alegria de dominar
seus próprios músculos,
um barco, uma bicicleta,
um cavalo, uma pintura em tela,
culinária, motores,
cálculo ou francês.
Qualquer coisa.
Tudo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Quintana



Hoje faz um ano que meu paizinho partiu deste mundo. Em homenagem a ele deixo aqui algumas pérolas de meu querido Mario Quintana para inspirar nosso dia.

A verdadeira arte de viajar...
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!


INSCRIÇÃO PARA UMA LAREIRA
A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...


O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.


A canção da vida

A vida é louca
a vida é uma sarabanda
é um corrupio...
A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
de raparigas em flor
e está cantando
em torno a ti:
Como eu sou bela
amor!
Entra em mim, como em uma tela
de Renoir
enquanto é primavera,
enquanto o mundo
não poluir
o azul do ar!
Não vás ficar
não vás ficar
aí...
como um salso chorando
na beira do rio...
(Como a vida é bela! como a vida é louca!)


Uma vida não basta ser vivida. Ela precisa ser sonhada.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Neruda


Minhas férias acabam aos poucos - um compromisso de trabalho aqui, outro ali... Esta semana já está com menos cara de férias que a semana passada e lentamente vou retomando uma rotina para a qual eu não queria voltar. Como no momento estou lendo as memórias de Pablo Neruda, deixo aqui um poema dele de que gosto muito e que tem a cara desta minha segunda-feira:

Se cada dia cai

Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.


Boa semana!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Drummond (1)


(decidi postar uns poeminhas e tals de quando em vez para inspirar nossos dias... espero que gostem!)

PASSAGEM DA NOITE


É noite. Sinto que é noite
não porque a sombra descesse
(bem me importa a face negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim, o grito
se calou, fez-se desânimo.
Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro
e em noite nos dissolvemos.
Sinto que é noite no vento,
noite nas águas, na pedra.
E que adianta uma lâmpada?
E que adianta uma voz?
É noite no meu amigo.
É noite no submarino.
É noite na roça grande.
É noite, não é morte, é noite
de sono espesso e sem praia.
Não é dor, nem paz, é noite,
é perfeitamente a noite.

Mas salve, olhar de alegria!
E salve, dia que surge!
Os corpos saltam do sono,
o mundo se recompõe.
Que gozo na bicicleta!
Existir: seja como for.
A fraterna entrega do pão.
Amar: mesmo nas canções.
De novo andar: as distâncias,
as cores, posse das ruas.
Tudo que à noite perdemos
se nos confia outra vez.
Obrigado, coisas fiéis!
Saber que ainda há florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos!
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!

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