Hoje em dia o quilt pode ser feito a mão ou a máquina. Como o curso era de patch a mão, é assim que estou quiltando. O quilt pode ficar aparente e deste modo ter um efeito decorativo também, formando desenhos com linha contrastante com o tecido. Eu estou quiltando com linha branca mesmo (linha Zebra, que é mais forte), nas emendas (não todas), bem rente à costura. Este tipo de quilt não fica aparente, só realça um pouquinho deixando as partes quiltadas com um ar mais "fofinho".
Esta bolsinha tipo clutch (que eu terminei há algum um tempo mas tinha esquecido de postar) eu quiltei a máquina. Passei um ponto decorativo com linha rosa claro bem em cima das emendas (cliquem em cima da foto para ampliar).
Tutorial AQUI, aliás :)
O quilt a mão é um trabalho de formiguinha, eu até pensei que não fosse gostar mas estou curtindo. Não dá para fazer direto, pois é um movimento que cansa, e além do mais isso vai levar tempo e preciso dar andamento aos meus outros crafts também. Está sendo um bom contraponto à minha fase "produção-de-cachecóis-em-ritmo-semi-industrial" (que eu também pensei que fosse enjoar logo mas que também estou curtindo!). Outro dia a Carla escreveu um post muito legal sobre a arte de fazer crafts sem pressa, super válido. Acho que o trabalho manual tem que estar intimamente ligado ao prazer, e cada um tem que descobrir qual é o seu prazer: projeto pequeno, projeto grande, vários projetos ao mesmo tempo, um projeto de cada vez... Eu estou vendo que sou uma metamorfose ambulante do mundo craft - cada hora tô de um jeito!
E por falar em projeto grande, em breve mostrarei também o primeiro resultado do meu primeiro BAP "de verdade". Em craftês informal, BAP quer dizer "Big Ass Project", um projeto grande e demorado (não me peçam para traduzir ao pé da letra rsrsrs). O quadrinho (inho???) é este AQUI. Lindo né? A parte onde está escrito Williams e as pessoinhas e bichinhos podem ser personalizados. (Aliás eu vou deixar para bordar essa parte por último, sei lá quantos anos eu vou levar para terminar e até lá quem sabe quantos bichos mais haverá nesta casa? KKKKK!) Pois então, este projeto é uma espécie de SAL que eu vou fazer com a Iara e outras meninas (post AQUI). Temos que mostrar algum avanço todo final de mês, mas este avanço fica por conta de cada uma - podem ser dez ou cem pontinhos! Assim bordamos no nosso ritmo, sem stress, mas ao mesmo tempo o compromisso de mostrar pelo menos um pouquinho de evolução a cada mês não deixa que o projeto vire UFO. Gostei!
Por fim, para quem arrancou os cabelos com o "susto" do blogger, sugiro a leitura (ou re-leitura) deste poeminha. Eu ia escrever um pouco sobre isso, mas acho que o poeminha fala por si. Reflitamos mais uma vez sobre impermanência e desapego hehe.
A arte de perder não é nenhum mistério
tantas coisas contém em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. Um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
Mesmo perder você ( a voz, o ar etéreo, que eu amo)
não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser um mistério
por muito que pareça (escreve) muito sério.
(Elizabeth Bishop; tradução de Paulo Henriques Brito)



